domingo, 11 de outubro de 2009

porque essa é definitivamente a melhor desse ano. ganhou já.

João passa quinta e sexta num acampamento com o povo da escola.
Vou buscá-lo, e, uma vez no carro, pergunto o que ele mais gostou.

- não sei, foram tantas coisas legais que eu não sei dizer qual foi a que eu gostei mais.
- sim, mas fala aí, a coisa mais insana, ou mais nojenta, sei lá!
- ah, eu sei qual foi a mais engraçada, posso contar?
- conte!
- antes de ir dormir, a gente ficou contando piada e morrendo de rir.
- foi isso?
- não, tem mais.
- conte, ora!
- a gente riu tanto, e tão alto, que as meninas - o quarteto, tu sabe (nota _ sim, há um quarteto de meninas peraltas na vida de João) - pulou a janela do quarto delas e veio jogar pedras na janela da gente até um dos meninos abrir!
- !
- e aí elas entraram no quarto da gente!
- !
- e ficaram lá!
- !
- e, lógico, tia lorena quase matou todo mundo no outro dia né...
- !
- tá, a gente mereceu a bronca.
- !
- mas que foi bem legal, isso foi! :)
- ...


aí o que a pessoa que é mãe diz numa hora dessas?
alguém me esclarece?
por favor?

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

não é que eu esteja triste

não. não estou.
preocupada é uma boa palavra. pensativa é também.

e aí acontece.
preocupada e pensativa _ não triste _ me dá vontade de ouvir REM.
mas só as músicas, assim, tristes.



When your day is long and the night
The night is yours alone
If you're sure you've had enough of this life
Well hang on
Don't let yourself go, 'cause everybody cries
And everybody hurts, sometimes...



certo.
consegui lembrar da música mais auto-ajuda de todos os tempos né.
eu sei.
mas acontece.
preocupada. pensativa.

só que não acaba aqui não.



This one goes out to the one I love
This one goes out to the one I've left behind
A simple prop to occupy my time
This one goes out to the one I love
Fire (she's comin' down on her own, now)



que esse astral esquisito nem tem nada a ver com amor não.
mas é que REM vem em forma de pacote sabem.
como vinha quando eu pré-adolescente.



Oh, Life is bigger
It's bigger than you
and you are not me
The lengths that I will go to
The distance in your eyes
Oh no I've said too much
I set it up

That's me in the corner
That's me in the spotlight
Losing my religion
Trying to keep up with you
And I don't know if I can do it
Oh no, I've said too much
I haven't said enough
I thought that I heard you laughing
I thought that I heard you sing
I think I thought I saw you try



que quando o namoro de Brenda de Barrados No Baile acabou ela ficou ouvindo Losing My Religion sem parar por vários dias seguidos.
porque era a música que tava tocando no carro de Dylan no dia que eles brigaram feio pela primeira vez, muito tempo antes.
e ela ficou ouvindo música quando o namoro acabou porque naquele dia, o da primeira grande briga, ela achou que era o fim de tudo e nem foi.
e ouvir a música agora com o namoro acabado fazia ela pensar que ela tinha sido feliz ó, e nem sabia, naquela época.

e eu pensei, pela primeira vez na minha vida besta de teenager _ isso é tão eu, né.
isso de achar que era melhor, mais bonito, mais feliz antes?
uma tendência que já se delineava entendem, na pessoa que nem tinha 15 anos na cara ainda?
era eu.
tão eu.

aí Losing My Religion virou, na hora, a música pra ouvir na hora de pensar na vida.
de ficar preocupada, pensativa.
triste não tá.
triste a trilha é outra.
mas não é disso que eu quero falar.
não agora.

percebam que há toda uma carga emocional antiga associada a REM.

e agora, preocupada, pensativa, me deu vontade de ouvir REM.



Night swimming
Deserves a quiet night
I'm not sure all these people understand
It's not like years ago
The fear of getting caught
The recklessness in water
They cannot see me naked
These things they go away
Replaced by every day
Nightswimming
Remembering that night
September's coming soon



e tem mais essa.
setembro é O Mês.
sempre foi.
há muitos anos.
das coisas importantes e complexas acontecerem.

e eu começo a ter muito medo de setembro.
porque eu ando tendo motivos.

de repente né.
é como ter 13 anos de novo.
ai.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

só constatando. só isso.

Quarta passada eu e João fomos ver “Marley e Eu” no cineminha lá do lugar onde a pessoa trabalha. E no fim, quando o filme começa a ficar triste, João põe-se a chorar despudoradamente, e só se dá conta de que está extrapolando quando as luzes se acendem e todos olham pra ele, nariz vermelho, olhos inchados. E então ele se esconde atrás de mim, e finge procurar uma coisa qualquer dentro da minha bolsa, e, quando o lugar fica vazio, cai no choro de novo, e diz que quer ir pra casa agora, e sai andando calado, olhando para os próprios pés, sacudido vez ou outra por um soluço engasgado. E chega em casa abatido, e abraça seu cachorro, e tranca a porta do quarto, e não quer falar com ninguém por enquanto, e por favor me deixem em paz.

Foi isso que eu fiz, da minha vida.

Criei um filho de dez anos que fica deprimido depois de ver um filme com Owen Wilson.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

porque comemorar é preciso né? eu acho.

sábado passado foi dia de cineclube. um cine há muito marcado e esperado, pelo menos por mim, que não via as pessoas há séculos. porque, eu nem contei aqui, mas eu virei uma pessoa megacarente da presença das outras pessoas depois que eu quebrei o dedo mindinho do pé direito. sim, eu quebrei. isso é uma longa estória e tal. eu chutei uma pedra. não tentem fazer isso em casa, crianças.
enfim. megacarente. necessitando conversar com amigos.
mas enfim, não era sobre isso esse post. era sobre o fato de eu ter me lembrado, durante uma conversa no sábado, que esse mês esse blog faz cinco anos.
e aí né. pesou.
eu me disse que eu TINHA QUE postar qualquer coisa, só pra registrar.
mas quem disse? que me veio idéia que prestasse? pra escrever aqui? pra comemorar o aniversário e tal?
porque minha inspiração pra escrever aqui é tal e qual meu humor _ uma bela duma montanha russa. e eu nunca consigo escrever nada quando eu me obrigo a escrever uma besteira qualquer que seja.
especialmente esse final de semana, que começou feliz com o cineclube, mas cujo final mesmo não foi nada fácil.
porque eu surtei. porque coisas importantes, não necessariamente boas, andam acontecendo esses dias. e vão continuar acontecendo na próxima semana e na seguinte também. e por conta disso eu briguei feíssimo com pessoas muito queridas e gritei e me joguei no chão aos prantos e arranquei meus próprios cabelos. tudo isso ontem à noite. visualizem a cena. ou não. melhor não.
e eu, que queria motivo pra escrever, arranjei, mas não do jeito que eu queria. que eu queria um post feliz né, assim de celebração mesmo.
mas a gente não tem sempre tudo o que quer, colegas. não mesmo.
então é isso. eu tenho um post. mas não uma comemoração.
e eu sei que _ sendo uma montanha russa a coisa toda _ no fim, tudo vai se resolver.
só que né. eu e minha pressa infinita. queria que tudo se resolvesse agora já nesse segundo.
mas a gente não tem sempre tudo o que quer, colegas. não mesmo.
aí hoje eu achei que ia me livrar do gesso no pé e não foi assim que foi. o troço complicou, um vaso estourou no meu dedinho e eu tive que botar gesso de novo.
e me deu um cansaço grande dessa vida. grande mesmo. tão grande que eu só quis dormir quando chegeui em casa. desmarquei os compromissos todos, tomei remedinhos mágicos e dormi nada menos que seis horas seguidas. numa segunda. no meio do dia. sem comer nem nada.
e chorei. baixinho e quieta dessa vez. por causa do cansaço. cansaço de tudo.
eu sei.
eu sempre prometo não vir mais chorar as pitangas aqui no blog porque isso é muito feio. mesmo porque eu pago à minha terapeuta pra ela me ouvir chorar minhas pitangas lá no divã dela duas vezes por semana e tal.
mas né, é mais forte que eu às vezes. e eu fico à beira de deletar o post. mas né, o aniversário de cinco anos.
então deixa o post aí. assim torto mesmo. porém não esqueçam dos bombeiros hein. tou precisando muito dessa vez.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

é uma montanha-russa o humor dessa pessoa que escreve aqui, hein

mas né, não é isso que importa.
o que importa é que eu hoje estou feliz.
e resolvi postar num dia feliz só pra ver como eu me saio.
porque foi assim.
dez dias atrás eu peguei uma virose que me matou. mesmo. aí eu renasci depois. mas eu juro a vocês que eu morri. de febre e tosse e enxaqueca e tudo mais.
tudo bem até aí. négocio é que tudo ocorreu nas imediações do dia 14 de julho, o dia em que eu queria sumir todo ano, e só não sumo porque não é só meu aniversário, é o de joão também. e eu me obrigo a sorrir e me manter animada porque as nuvens negras são minhas, ele, coitado, já pegou o bonde andando, já nasceu no meio dessa agonia de vida que é a minha vida e não tem culpa de nada. merece curtir o dia dele. e sobra pra mim o faz de conta que está tudo numa ótima.
mas esse ano não tava. o mundo tava caindo, conforme mencionado no post abaixo, eu tava à beira da morte com a droga da virose inoportuna, e fazia um ano exato que eu fiz a viagem de pesadelo pra frança, quando meus medos os maiores de todos arreganharam os dentes afiados pra mim e eu nunca mais fui a mesma de novo.
ou seja. perspectivas nada otimistas.
o dia 14 de julho passou. não sem choro e desespero e pensamentos suicidas, mas passou.
e aí ontem eu fui pra terapia e minha terapeuta querida e fashion me disse uma coisa que eu já sabia que era verdade, mas que eu precisava ouvir, que eu preciso ouvir às vezes, pra não me esquecer de que é verdade, pra não duvidar, pra não deixar de ter fé, em mim, na vida, nas pessoas me cercam.
e foi uma luz que se acendeu no fim do meu túnel.
e depois vieram outras luzinhas atrás dessa.
eu consegui sair de casa sem passar super mal no meio da rua. eu consegui assistir televisão sem ter dor de cabeça (e ainda dei boas gargalhadas). eu consegui comprar uma bolsa nova (vejam bem, eu fico triste e perco o interesse por bolsas por uns tempos, é mesmo muito grave isso). eu consegui dirigir de novo.
aí hoje milena chegou com ailton aqui. é, acho que essa foi a luzinha mais forte de todas as que se acenderam de ontem pra hoje no fim do meu túnel.
acho também que, por enquanto, eu não preciso mais ter medo do escuro.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

vejam bem, meus bens

a vida andava tranquila nos últimos tempos. não que coisas importantes não tivessem acontecido, pelo contrário, mas eu andava em paz com as coisas. e andava fazendo progressos, em variadas frentes, o que me deixava animada, um tantinho mais do que o habitual.

mas aí junho chegou.

junho é sempre um mês problemático pra mim.

acho que eu já falei sobre isso por aqui.

tem o fato de ser o mês que antecede meu aniversário, e eu surto toda vez com o troço todo do tempo passando e tal.

tem o fato de ser o mês da morte do meu pai, coisa não muito fácil de enfrentar, todo santo ano.

mas esse ano foi peso. mais peso, quero dizer.

o mundo caiu sobre a cabeça de pessoas muito queridas e eu senti as dores todas como se fossem minhas.

porque eu tenho isso. eu sou uma grande duma esponja.

então vieram as nuvens negras todas de novo. e eu voltei a me sentir perdida-confusa-desesperada.

porque, eu vou dizer, coisas importantes _ e boas _ aconteceram nos últimos tempos, mas a vida não tá ganha não, gente amiga, não tá mesmo.

e eu me esqueço disso às vezes. quando coisas importantes e boas acontecem eu me esqueço temporariamente.

aí junho chega e eu me lembro de novo. que a vida não tá assim tão ganha, que eu não tou assim tão bem, que não tem isso de problemas sumirem. problemas trocam de nome e endereço, mas não somem nunca.

certo, eu sei. não é o fim dos tempos.

tou chorando minhas pitangas aqui somente porque eu queria que essa maré passasse logo.

cruzem os dedos e chamem os bombeiros aí por mim.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

um pensamento, um desabafo

Essa semana eu recomecei a ter aulas num curso que eu nunca deveria ter abandonado. Eu planejei por anos e anos esse retorno, mas sempre qualquer coisa me atrapalhava e eu deixava pra depois. Dessa vez, de volta à vidinha de sempre, na própria terra, mais desocupada do que ocupada e precisando com urgência tomar um rumo qualquer, tomei coragem, disse a mim mesma que eu não era um prato de papa _ como eu sempre penso que sou _ e sim uma mulher adulta, arregacei as mangas, pedi a ajuda dos deuses todos de todos os panteões de todas as religiões e fui lá fazer matrícula, comprar material e dar a cara à tapa, não sem antes enfrentar crises homéricas _ ó céus, será que é isso mesmo, será que eu vou dar conta, será que vale a pena, será que blá; e fiquei nervosa no primeiro dia, palpitações, suor, frio na barriga e blá _ mas fui, mulher sim, prato de papa não. E nem doeu tanto assim, nem foi tão trágico, pelo menos até agora. Mas enfim, não era disso que eu queria falar. O que eu queria falar era que no primeiro dia o professor em vez de fazer todo mundo se apresentar falando, fez todo mundo se apresentar desenhando no quadro. Desenhando algo que dissesse qualquer coisa sobre você, quem você é, o que você faz, o que você gosta e blá. E eu pensei pra cá e pra lá e só me veio a imagem de uma revista na cabeça. Na verdade verdadeira, eu pensei em desenhar um menininho, pra dizer que eu sou mãe de um menininho, mas sei lá, às vezes eu me canso de ficar mantendo essa postura de super-mãe-acima-de-tudo-e-antes-de-qualquer-coisa. Aí desenhei uma revista. Porque vejam bem. Eu poderia ter desenhado um livro, a associação é quase a mesma, escrever e tal, mas sei lá. Eu não levo os meus escritos tão a sério. A razão é essa. Eu poderia dizer que é porque eu trabalhei como jornalista somente em revistas, e não em jornais e tal, e nunca escrevi um livro, nem tive nunca a pretensão, mas seria uma desculpa e não a razão real. Sendo que isso muito me incomoda. Isso de não levar meus escritos a sério. Eu queria levar. Até criei outro blog em sociedade pra escrever coisas supostamente mais sérias. Mas olhem, eu nem consigo. Escrever coisas sérias lá no outro blog. Acaba virando tudo uma grande bagunça. A única maneira de eu parir um texto é essa. Desse jeito que eu escrevo aqui. De qualquer jeito. Como quem fala. Como quem despeja. É a única maneira que eu conheço de escrever um texto com as entranhas. Eu até tento viu, às vezes. Mas não sai de jeito nenhum. E eu não acho ruim. Se eu não gostasse do jeito como eu escrevo, eu não escreveria aqui. Do que eu não gosto é de eu mesma não dar valor ao que eu escrevo aqui, ou no outro blog, ou no meu diário _ oui pessoas, eu tenho um diário de papel. Tá, pode parecer uma grande duma bobagem escrever um post sobre isso. Mas eu acho que é uma reflexão válida. Talvez uma discussão válida também, não sei. Por que eu nunca consigo reconhecer quando uma pessoa valoriza seus próprios escritos. Tem gente que eu sei que sim, tem gente que eu sei que não. E tudo isso é tão relativo, cara. De repente você não valoriza, mas outro alguém sim. Ou o contrário, né, também existe. Enfim, era só um pensamento isso, ou um desabafo, virou um texto gigante. Deixa eu parar por aqui senão ninguém vai querer ler esse troço.